Em uma entrevista à La Gazzetta dello Sport, o ex-jogador do Milan Savicevic relembrou carinhosamente seu antigo capitão Baresi, e falou sobre o tempo em que jogaram juntos. Ele afirmou que Baresi não era apenas um grande jogador e líder, mas também seu amigo, e expressou sua indignação por Baresi nunca ter ganhado a Bola de Ouro.

O ex-gênio do meio-campo do Milan emocionou-se ao falar sobre seu antigo capitão: "Quando cheguei ao Milan, ele me ajudou muito. Ainda me lembro do gol que ele marcou contra o Padova quando já tinha 35 anos, e ele comemorou como uma criança. Se ele não ganhou a Bola de Ouro, a culpa é dos jornalistas, que votaram todos no Rijkaard... Senti um nó na garganta, uma tristeza que você não pode imaginar. Pobre Franco, fiquei realmente triste. Ele era meu capitão, meu grande capitão. Ele se importava comigo e se importava conosco, porque representávamos o Milan. Mas ele mesmo era o Milan. Não havia ninguém como ele no passado, e nunca mais haverá."
Que tipo de pessoa era Baresi?
Savicevic: "Ele era uma pessoa muito boa e um verdadeiro homem. Também era um ótimo companheiro de equipe, um jogador incrível. Ele nasceu entendendo futebol, capaz de compreender tudo em campo, com uma habilidade inacreditável para ler o jogo. San Siro cantava: 'Capitão, apenas um capitão.' Ouvir esses cânticos era realmente lindo, dava arrepios e também trazia força a todos."
Quando vocês se conheceram?
Savicevic: "Eu sabia quem ele era desde muito cedo. Ele era um zagueiro muito forte e famoso. Na Iugoslávia, no Estrela Vermelha de Belgrado, as pessoas sempre falavam muito bem dele. Mais tarde nos encontramos na Copa Europeia de 1988, primeiro em San Siro e depois em Belgrado."
Aquela foi a famosa noite de nevoeiro, e a disputa de pênaltis...
Savicevic: "Isso mesmo. Só me lembro que errei um pênalti, e o Franco marcou. Mais tarde, o Milan merecidamente ganhou o campeonato. Aquela era uma equipe muito boa, e o Franco era um dos jogadores mais fortes nela. Não, não, desculpe, ele era o mais forte."
Agora algumas pessoas dizem que ele era melhor que Beckenbauer. Você concorda?
Savicevic: "Eu só vi Beckenbauer jogar pela seleção. Eu era criança na época, e minha memória dele é muito distante. Ele era um jogador campeão, com técnica e temperamento extraordinários. Baresi estava no mesmo nível que ele. Não, eu deveria dizer, Baresi e Paolo Maldini são os maiores jogadores do mundo. Franco ganhou muitas honras, mas deveria ter ganhado mais."
Incluindo a Bola de Ouro?
Savicevic: "Especialmente a Bola de Ouro. Por favor, é uma vergonha. Como não se pode dar a Bola de Ouro a Baresi? Mas a culpa é toda de vocês..."
Como é nossa culpa?
Savicevic: "A culpa é de vocês, jornalistas. Vocês não votaram nele. Os holandeses sempre ganhavam naquela época, Rijkaard estava sempre à frente dele, recebendo muitos votos em primeiro lugar. Eu respeito completamente Rijkaard, mas estamos falando de um meio-campista que passa bem e joga bem. Mas Baresi estava em um nível completamente diferente, ele era um verdadeiro fenômeno. Escutem, não me falem da Bola de Ouro, quando ouço falar nisso, fico tão irritado..."
O alemão Sammer ganhou a Bola de Ouro...
Savicevic: "Cannavaro também ganhou, certo? Mas Baresi não. Ele foi um dos maiores zagueiros da história do futebol. Não estou dizendo que seja uma vergonha que Sammer e Cannavaro tenham ganhado, mas eles não se comparam a Baresi. No entanto, Franco tinha uma grande qualidade, que era não se zangar com isso. Ele dizia: 'Ok, esqueça, não pense mais nisso, vamos ser positivos.' Ele era um líder, sempre capaz de deixar essas coisas de lado."
Como era a relação entre "o gênio" e "o capitão"?
Savicevic: "Muito boa. Ele ajudava todo mundo. Eu sempre o senti ao meu lado. Ele não falava muito, mas estava sempre lá. Quando cheguei ao Milan, eu estava em uma fase ruim, sem tempo de jogo, e estava de mau humor. Franco me abraçava e me confortava, dizendo: 'Vamos, Dejan, seja paciente. Temos muitas pessoas em nossa equipe, e todos são excelentes.'
Naquela época, eu queria sair, e ele me dizia: 'Onde você quer ir? Estamos no Milan agora, onde mais você pode encontrar um lugar melhor do que aqui?' Ele também me dizia: 'Não se zangue, e não desista.' Ele mesmo nunca desistia. Ele sempre trazia uma parte da sua alegria."
Existe alguma cena em particular que você considera especialmente inesquecível?
Savicevic: "Houve muitos desses momentos. Eu poderia mencionar um certo jogo de copa, ou uma certa final. Mas o que realmente me lembro é o gol que ele marcou contra o Padova. Aquela cena sempre ficou profundamente impressa em minha mente. Foi a primeira rodada do campeonato em 1995, e também a primeira partida de Weah e Roberto Baggio. George marcou um belo gol de cabeça, e então o Padova empatou. Depois disso, Franco de repente avançou para se juntar ao ataque. Weah lhe deu um bom passe, e Franco dominou a bola no peito dentro da área, deixando-a cair na coxa, depois a empurrou suavemente com a parte interna do pé para o canto inferior do gol. Você deveria ter visto o quão feliz ele estava naquele momento. Ele correu como uma criança, quase completamente imerso em alegria. Todos nós corremos para abraçá-lo, amontoando-nos em cima dele. Aquela cena foi muito emocionante.
Naquela época, Franco já tinha 35 anos, tinha jogado cerca de 500 jogos no campeonato, mas ainda estava tão animado e emotivo quanto uma criança. Mas depois, quando ele foi para uma entrevista na TV, ele disse seriamente: 'Pessoal, ainda precisamos trabalhar duro, ainda há muito trabalho a ser feito.'"
Há outros momentos?
Savicevic: "A final contra o Barcelona em Atenas. Ele não jogou devido a suspensão, mas parecia que ele estava em campo o tempo todo. Posso imaginar o quão difícil foi para ele. Ele amava profundamente o Milan, o Milan estava enraizado nele. Mais tarde dissemos a ele: 'Franco , você também está em campo conosco.' Ele era uma pessoa muito sensível. Também me lembro dele chorar após a final da Copa do Mundo nos EUA. O Milan havia se tornado campeão europeu, e ele teve a chance de se tornar campeão mundial.
Ele machucou o menisco, mas voltou imediatamente, insistindo em jogar na final. Ele perdeu um pênalti porque assumiu a responsabilidade, sendo o primeiro a se apresentar para cobrá-lo. Naquele momento, senti uma tristeza incrível por ele."
Mas vocês também compartilharam muitos momentos maravilhosos, como a semifinal da Copa de 1995 contra o Paris Saint-Germain. Você se lembra?
Savicevic: "Que tipo de pergunta é essa? Como eu poderia esquecer algo assim? Vencemos por 1 a 0 fora, e depois por 2 a 0 em San Siro."
E Savicevic marcou dois gols.
Savicevic: "O Paris Saint-Germain tinha Weah, Bravo e Ginola na época. Quando saímos do campo depois do jogo, Franco me abraçou e disse: 'Droga, Dejan, você é realmente um gênio do caralho.' Mais tarde, me lesionei e não pude jogar na final contra o Ajax. Tivemos a chance de ganhar o campeonato pelo segundo ano consecutivo. Essas são sempre boas lembranças. Mas agora, Franco se foi."
Quando foi a última vez que vocês tiveram contato?
Savicevic: "Acho que foi em maio. Eu sempre mantive contato com ele através do Daniele Massaro. Recentemente, também participei de um evento com ele em um fã-clube do Milan perto de Bergamo. Ele sempre foi tão gentil e sempre disposto a ajudar os outros."
Você virá para a despedida dele?
Savicevic: "Claro. Farei tudo o que puder para chegar lá. Ele era meu capitão e meu amigo. Mas por que não realizar o funeral dele no Duomo em Milão? Ele é Franco Baresi, ele merece ser despedido no Duomo, assim como artistas e políticos. Na terça-feira, chegarei à porta da igreja quinze minutos antes."
Traduzido por IA.
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