Regis Fernandes da Silva não caminha mais em direção aos estádios onde um dia brilhou. Hoje, ele perambula sem rumo, tendo como cruel adversária a dependência de cocaína. O ex-jogador de 49 anos, que atuou por Ponte Preta, Corinthians e Vasco da Gama, está lutando contra o vício em drogas.

Há dois meses, o homem conhecido como "Regis Pitbull" em seus tempos de jogador vive nos becos e ruas do bairro de Pirituba, na Zona Norte de São Paulo. O vício lhe custou a casa, o apoio de quase todos os amigos e sua dignidade.
O rosto familiar do atleta foi desgastado pelo tempo, pela dependência química e pela violência das ruas enfrentada pelos moradores de rua em uma das maiores cidades do mundo, tornando-o quase irreconhecível.
A chuva e o vento frio de uma manhã gelada em São Paulo levaram Regis a procurar abrigo em um refúgio improvisado de lonas, cobertores e papelão, localizado em uma pequena praça. Rodeado por entulhos de construção e lixo acumulado, ele tentou recompor-se.
Depois de depender de parentes e amigos para se hospedar, as ruas se tornaram sua única opção. Devido a taxas de condomínio e impostos de propriedade não pagos, seu apartamento pode ser retomado pela justiça. No entanto, Regis ainda espera retornar a esta, sua única propriedade restante. Anteriormente, ele foi preso em 2025 por agredir um síndico e teve que sair.
Pouco depois das 8h, a fome acordou Regis. Enquanto atravessava ruas movimentadas com tráfego e pessoas apressadas para o trabalho, ele repetia uma de suas poucas rotinas diárias: ir a um restaurante para um café com inúmeras colheres de açúcar.
Nesse dia, ele também comeu alguns kibes turcos e tomou mais duas xícaras de café. Um torcedor do Corinthians que trabalhava no restaurante sempre brincava com ele quando o atendia, pois nem se lembrava do jogador que havia atuado 7 vezes pelo Corinthians em 2004.
—Torcedores vieram conversar comigo no domingo; eles querem me ajudar. Sou muito corintiano; eles sempre se lembram de mim. Me dê outro café, mas com mais açúcar, porque está muito amargo—disse Regis. Ele usa este restaurante como local para usar o banheiro e carregar o celular, que é seu único meio de comunicação. Ele geralmente também usa o celular para pagar as drogas que compra.
Na noite anterior a este encontro, Regis afirmou ter fumado "flor e ice"—uma mistura de flores de cannabis (brotos da planta de cannabis) e "ice", um extrato altamente concentrado da mesma planta.
Outra funcionária do restaurante disse que o ex-jogador vem aqui todos os dias para comer as poucas refeições que lhe dão. Ela disse que os dias de sobriedade são raros.
Por raramente tomar banho, Regis tem poucas trocas de roupa e suas unhas não estão aparadas. Graças a um amigo, sua barba e cabelo foram arrumados. Na praça do outro lado da rua onde ele mora, também há um homem que parece ter mais de 60 anos o acompanhando, mas Regis não gosta dele.
—Aquele velho é chato, sempre reclamando de tudo. Gosto de ficar no meu canto; não quero ninguém me incomodando. Ele sempre quer conversar. Se eu quiser conversar, é só ir ao mercado ali perto—disse Regis. Naquela manhã chuvosa, ele tinha outra tarefa: consertar o pneu furado de sua bicicleta.
Regis nasceu e cresceu em Pirituba, e a maioria dos moradores e frequentadores do bairro o conhecem, e ele está familiarizado com as ruas da região. O posto de gasolina ao lado do restaurante é a "garagem" de sua bicicleta azul, que ele usa para encontrar amigos e comprar drogas.
Regis não esconde seu vício. Desde seus primeiros dias no futebol, ele convive com a dependência química. Foi pego duas vezes por doping devido ao uso de cannabis, retornou aos campos após suspensões e continuou sua vida até ser mais tarde consumido por drogas mais fortes, perdendo o controle de sua vida.
Alguns momentos que ainda o fazem sentir-se livre são quando ele anda de bicicleta pelo bairro. Naquele dia, enquanto empurrava uma bicicleta com pneu furado, ele encontrou o policial que o havia prendido em 2025. Aquela prisão ocorreu depois que ele agrediu o síndico, quando seu apartamento, que estava prestes a ser despejado devido a dívidas, ainda era sua residência.
—Você foi quem me colocou lá, mas também me ajudou muito. Tenho grande respeito por você.
—Eu não te coloquei lá; você se colocou lá. Você entende, Regis. Cadê a tornozeleira?—o policial retrucou.
—Acabou, e o dinheiro foi pago de volta—disse Regis. Ele havia usado uma tornozeleira eletrônica por vários meses devido a esse caso de agressão, sob uma medida protetiva.
A poucos metros do posto de gasolina, em uma borracharia, Regis finalmente conseguiu consertar seu pneu. No caminho, ele relembrou o auge de sua carreira e o status que desfrutava como jogador de grandes clubes do futebol brasileiro.
—Eu dirigia uma BMW e uma picape Dakota. Uma vez fui a uma churrascaria para aquela costela de primeira, e nem paguei porque tiraram fotos e não me deixaram pagar a conta. Você consegue imaginar isso hoje? Você é louco—ele disse, relembrando enquanto chegava ao local agendado.
O borracheiro viu esse rapaz crescer no bairro, tornar-se jogador profissional e depois atingir o fundo do poço.
—Ele sempre jogou bem futebol, mas adorava brigar. E ainda adora—ele disse, rindo, enquanto Regis esperava visivelmente ansioso pela instalação do novo pneu.
Apesar de reconhecer seu problema, a expressão de Regis mudava ao ouvir palavras como "ajuda" ou "internação". Ele se recusava a deixar as ruas para ficar com um conhecido ou a aceitar ajuda médica para seu vício. Ele repetia que tudo o que precisava era de um emprego para colocar sua vida em ordem.
Depois que o pneu foi consertado, Regis subiu em sua bicicleta e deu algumas voltas de teste curtas ao redor do posto de gasolina, com um colega policial observando por perto, e então partiu sem rumo novamente.
Logo depois, ele voltou para seu abrigo improvisado, deitou-se e tornou-se apenas mais uma pessoa comum e vulnerável na cidade mais populosa do Brasil.
Nome: Regis Fernandes da Silva Apelido: Regis Pitbull Carreira: 170 jogos | 49 gols Clubes em que jogou: Comercial, Marítimo (Portugal), Ceará, Ponte Preta, Coritiba, Kyoto Sanga (Japão), Gaziantepspor (Turquia), Daejeon Citizen (Coreia do Sul), Corinthians, Vasco da Gama, Bahia, Portuguesa, Inter de Limeira, ABC, Nasr, Rio Branco-MG, Poços de Caldas-MG e São Raimundo-AM.
O repórter do GE também conversou com vários conhecidos e familiares sobre a situação do ex-jogador. Todos concordaram que a falta de vontade dele em aceitar ajuda era o maior obstáculo para iniciar a recuperação. Ninguém quis ser entrevistado oficialmente.
Antes de se tornar morador de rua, a saúde física e mental de Regis vinha oscilando. Ele teve recaídas repetidas e breves períodos de sobriedade, contando com jogos em times amadores para seu sustento.
Regis tem dois filhos, e seus irmãos e pai ainda estão vivos. Sua mãe faleceu há alguns anos, sem ver o filho superar seu vício.
No final da década de 1990, Regis surgiu no Comercial de Ribeirão Preto e chamou a atenção do Marítimo de Portugal. Ele jogou na Europa por dois anos, depois retornou ao Brasil para se juntar ao Ceará.
Nessa fase, as drogas já faziam parte da vida do jogador há muito tempo. Ele foi suspenso por mais de quatro meses devido a duas violações de doping por uso de cannabis.
Regis era um ponta, com velocidade e drible sendo suas principais características. Depois de se juntar ao Coritiba e à Ponte Preta, ele foi para o Japão.
Mais tarde, ele jogou por times na Coreia do Sul, Turquia e Kuwait, e também por Corinthians, Vasco da Gama, Bahia, Portuguesa e alguns clubes menores, até deixar o futebol em 2012, aos 34 anos. Foi a partir de sua aposentadoria que seu vício piorou significativamente.
O ex-jogador passou por tratamento em 2022, mas teve uma recaída menos de um mês após a alta, até atingir o fundo do poço este ano e perder o apartamento onde morava.
Regis completará 50 anos em 22 de setembro e espera dar uma festa para reunir os amigos.
No entanto, hoje, não há nada a celebrar:
—Não quero que ninguém saiba que estou vivo. Se pensarem que estou morto, é ainda melhor. Não sou uma pessoa digna de pena.
Traduzido por IA.
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