O Departamento de Justiça dos EUA está investigando um grande fluxo de fundos entre a Associação de Futebol Argentino (AFA) e empresas de fachada, decorrentes de um acordo comercial assinado em 2021 entre a AFA e a empresa TourProdEnter LLC (uma empresa de Javier Faroni) registrada na Flórida.

1) O que os EUA estão investigando?

O Departamento de Justiça lançou uma investigação criminal para determinar se existem múltiplas violações, incluindo lavagem de dinheiro por meio de fraude usando o sistema bancário dos EUA e a transferência ilegal de fundos da AFA para terceiros usando contratos fictícios e faturas forjadas.

2) Por que a investigação está sendo conduzida nos EUA?

A investigação se concentra na TourProdEnter LLC, uma empresa dos EUA que recebeu centenas de milhões de dólares de patrocinadores, jogos amistosos e bônus da AFA após assinar um contrato de agência com a AFA em 2021. Esses fundos transitaram por suas contas em cinco bancos dos EUA (Citibank, JPMorgan Chase, Bank of America, Synovus e PNC), caindo, portanto, sob a jurisdição dos EUA.

3) Quem está sendo investigado pelo Departamento de Justiça?

A representante legal da TourProdEnter LLC nos documentos é Erica Guillen, esposa de Javier Faroni, produtor teatral e ex-deputado do partido Frente Renovadora no grupo de Sergio Massa. O casal é o primeiro elo em que os investigadores estão se concentrando. Os investigadores também estão tentando esclarecer as interações entre TourProdEnter LLC, Guillen e Faroni, e o presidente da AFA, Claudio "Chiqui" Tapia, Pablo Toviggino e outros funcionários ou empregados da instituição.

4) A investigação dos EUA é a mesma que o processo criminal na Argentina?

Não. A investigação dos EUA se concentra em altos funcionários da AFA, como Tapia e Toviggino, que também estão sob investigação na Argentina, mas os dois não são o mesmo caso. Argentina e EUA estão investigando diferentes suspeitos criminais em diferentes jurisdições, portanto, isso não viola a garantia constitucional de "ne bis in idem" (dupla incriminação).

5) Quem está liderando a investigação dos EUA?

Os três promotores envolvidos na investigação têm vasta experiência em crimes financeiros e casos de corrupção internacional. Michael Berger é um advogado sênior de litígios no Gabinete do Procurador dos EUA para o Distrito Sul da Flórida e foi responsável pela condenação do ex-controlador equatoriano Carlos Ramón Pólit Faggioni em um caso de lavagem de dinheiro em Miami. Também estão envolvidos Patrick Gushue, que trabalha na Seção de Integridade Bancária do Departamento de Justiça em Washington D.C. e é responsável pelo Programa Piloto de Recompensas para Denunciantes Corporativos; e Christopher Tim, que trabalhou anteriormente na Latham & Watkins LLP e participou de investigações de crimes financeiros.

6) Quando a investigação começou?

A investigação começou no último trimestre de 2025, desencadeada por um processo movido na Argentina pelo empresário argentino Guillermo Tofoni contra a AFA, alegando que a organização violou seu contrato de agência comercial e, em vez disso, favoreceu a TourProdEnter LLC. Tofoni apresentou pedidos de "descoberta" em Nova York, Delaware e Flórida, buscando obrigar a produção dos registros bancários da TourProdEnter LLC por meio dos tribunais para seu processo contra a AFA. Tofoni também abordou o Departamento de Justiça com esses materiais, relatando supostas atividades criminosas dentro da jurisdição dos EUA.

7) Quem já testemunhou na investigação dos EUA?

Além de Tofoni, os promotores Berger, Gushue e Tim, juntamente com agentes do FBI, contataram vários indivíduos e empresas, incluindo Juan Pablo Bicken, que atuou como vice de Pablo Toviggino na AFA. Eles também contataram empresas não argentinas que haviam feito acordos com a AFA, mas transferiram fundos para as contas bancárias da TourProdEnter nos EUA. Essas empresas assinaram como "patrocinadores" da AFA ou prestaram serviços à organização, que arrecadou mais de US$ 300 milhões de parceiros como Adidas (US$ 60 milhões) e Warner (US$ 40 milhões) nos últimos cinco anos.

8) Quais são os próximos passos para os EUA?

A pedido do Procurador Berger, o tribunal federal emitiu intimações exigindo que indivíduos relevantes compareçam perante um grande júri na quinta-feira, dia 30 deste mês, no Tribunal Federal dos EUA no Distrito Sul da Flórida. Essas intimações foram emitidas em 8 deste mês, mas não foram tornadas públicas até depois da Copa do Mundo da FIFA, exigindo que os intimados entreguem todos os registros e documentos relacionados a TourProdEnter, Faroni, "Chiqui" Tapia, Toviggino e Diego Lucero, um ex-sócio da empresa que adquiriu conjuntamente uma mansão em Pilar.

9) Quem foi convocado para testemunhar nos EUA?

Atualmente, não está claro quem especificamente foi convocado para comparecer ao tribunal nesta quinta-feira, mas fontes sugerem que Bicken (ex-vice de Toviggino) e Leandro Peterson (o mais alto funcionário da AFA em comércio e marketing, e um dos executivos mais conhecedores de dados financeiros e transações entre a instituição, TourProdEnter LLC e patrocinadores) podem estar entre os convocados.

10) As intimações fazem parte de um julgamento em andamento?

Não. A investigação ainda está em andamento, e as intimações são pedidos de depoimento a portas fechadas perante um grande júri, o que é diferente de um julgamento, que geralmente é público (exceto em circunstâncias especiais). Portanto, a investigação em andamento pode progredir sem problemas e, eventualmente, levar a um julgamento, ou pode ser concluída sem chegar à fase de julgamento se o promotor determinar que não há atividade criminosa, chegar a um acordo com o réu ou arquivar o caso com base na "discrição do promotor" devido a considerações políticas, carga de trabalho, gravidade do incidente, etc.

11) O que é uma "subpoena" e o que significa emitir ou receber uma?

Uma "subpoena" é uma ordem escrita emitida por um tribunal dos EUA ou outra autoridade competente que obriga a pessoa intimada a cooperar com os processos legais, incluindo comparecer como testemunha para depor em uma data e local especificados, ou apresentar documentos, registros ou outros itens como prova; sua função principal é garantir a aquisição de provas e a presença de testemunhas-chave, e os infratores podem ser punidos por desacato ao tribunal, e podem até ser detidos.

12) Como funciona um "grande júri" nos EUA e por que ele é convocado?

Um grande júri, também conhecido como "júri de acusação", é composto por um grupo de cidadãos comuns (normalmente de 16 a 23 no nível federal) que são convocados para ouvir secretamente provas e depoimentos de testemunhas apresentados por um promotor e decidir se há "causa provável" para apresentar acusações criminais formais, enviando assim o caso a julgamento. Ao contrário de um júri de julgamento, ele não determina culpa ou inocência, mas serve como um mecanismo de filtragem para acusações.

13) O telefone de Tapia foi confiscado nos EUA?

Não. Relatórios iniciais alegavam que investigadores dos EUA confiscaram o telefone de "Chiqui" Tapia e outros dispositivos eletrônicos, mas a AFA negou isso em um comunicado. De acordo com as leis e práticas atuais dos EUA, o FBI, a Segurança Interna e outras agências de fronteira podem exigir que qualquer viajante que entre ou saia dos EUA (por exemplo, em um aeroporto) entregue dispositivos eletrônicos e, com certas restrições, copie todo o conteúdo do dispositivo no local, após o que o dispositivo é devolvido ao proprietário. Atualmente, não está claro se Tapia passou por esse processo.

14) Que outras investigações de provas estão em andamento ou pendentes nos EUA?

A investigação do promotor é confidencial, mas fontes indicam que eles estão avaliando se devem convocar funcionários argentinos atuais ou antigos com conhecimento das ações relacionadas à AFA para testemunhar, incluindo Daniel Vitolo, o primeiro chefe da Inspetoria Geral de Justiça durante o governo de Javier Milei.

Traduzido por IA.

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