De acordo com o jornalista Diogo Dantas do jornal O Globo, o Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro está investigando o Flamengo e o Fluminense por supostamente venderem ingressos em excesso no Estádio do Maracanã. Conforme o Artigo 147 da Lei Geral do Esporte do Brasil, se um clube vender mais ingressos do que a capacidade do estádio, poderá ser proibido de jogar em estádios daquela cidade por até 6 meses.

Nesta fase, o Ministério Público do Rio de Janeiro aguarda as respostas de ambos os clubes e da Fla-Flu Serviços S.A., empresa responsável pela operação do Estádio do Maracanã. A promotoria planeja primeiro propor a assinatura de um "Termo de Ajustamento de Conduta" (TAC), esperando resolver a questão dessa forma e evitar processos judiciais, ao mesmo tempo em que evita impacto nos jogos restantes dos dois clubes nesta temporada.
O Globo apurou que a investigação, iniciada no final de agosto pelo Grupo de Ação Especializada em Esporte e Defesa do Torcedor (Gaedest/MPRJ) do Ministério Público do Rio, foi transferida para a Coordenadoria de Urbanismo. Isso envolve uma investigação sobre supostas irregularidades da Fla-Flu Serviços S.A., empresa que opera o Maracanã.
A administração de ambos os clubes, a Federação de Futebol do Estado do Rio de Janeiro (FERJ), a FutebolCard e a Cognitive Ruptix Solution, responsáveis pela venda de ingressos e operações de bilheteria, receberam notificações oficiais, mas ainda não forneceram explicações relevantes.
A investigação concentra-se na Tribuna Norte e nas antigas áreas de cadeiras cativas.
A investigação revelou que em pelo menos 16 jogos, o número de ingressos efetivamente vendidos ou colocados à venda em áreas específicas das arquibancadas excedeu a capacidade aprovada. Isso inclui 12 jogos do Flamengo e 4 jogos do Fluminense, além de um clássico Fla-Flu que determinou o campeão estadual deste ano.
De acordo com relatórios do corpo de bombeiros e da polícia militar, em alguns desses jogos, o número real de pessoas no estádio excedeu a capacidade regulamentar.
A investigação também descobriu que o sistema de catracas do Estádio do Maracanã não impede automaticamente a entrada de mais torcedores após o número de presentes exceder a capacidade regulamentar.
Nos 12 jogos do Flamengo envolvidos na investigação, o clube vendeu mais ingressos do que o permitido pelo laudo de segurança em certas áreas da arquibancada. Em metade desses jogos, o número real de espectadores presentes excedeu o limite de capacidade atual do Maracanã de 73.609.
Em alguns jogos, o número real de pessoas na Tribuna Norte sozinha atingiu 23.400, o que é 2.100 a mais do que o limite de 21.300 estipulado pelo laudo de segurança da polícia militar.
O Ministério Público do Rio de Janeiro confirmou que o sistema da Fla-Flu Serviços pode obter o número de torcedores que entram pelas catracas do estádio em tempo real e tem a capacidade técnica de definir limites de capacidade, mas essa medida não foi implementada durante as operações.
A situação do Fluminense é diferente. A investigação descobriu que o clube ofereceu para venda mais ingressos do que sua cota alocada, o que por si só já viola as leis relevantes.
Nos 5 jogos do Fluminense investigados, o número real de presentes não excedeu o limite regulamentar, seja em áreas específicas da arquibancada ou em todo o Estádio do Maracanã; apenas o número de ingressos disponibilizados para venda excedeu a quantidade aprovada.
Nesses jogos, a arquibancada inferior oeste foi fechada, e essa prática também viola os regulamentos: os clubes não podem fechar uma área da arquibancada e permitir que outra área seja sobrecarregada de torcedores.
A arquibancada superior oeste, convertida da antiga área de cadeiras cativas, também se tornou foco da investigação. Alega-se que em alguns jogos do Flamengo, essa área pode ter tido aproximadamente 1.000 ingressos extras por jogo, levando as autoridades a desconfiar de suposta deturpação e falsificação de documentos.
De acordo com os regulamentos, um máximo de 5.019 pessoas são permitidas nesta área, mas relatórios indicam que em alguns jogos, mais de 6.000 espectadores realmente entraram nesta área.
O Globo solicitou respostas de ambos os clubes, da Federação de Futebol do Rio de Janeiro e da operadora do Maracanã sobre a investigação.
O Fluminense negou as alegações em comunicado: "O Fluminense Football Club não vende mais ingressos do que a cota regulamentar em nenhuma área das arquibancadas do Maracanã."
O Flamengo não respondeu.
A Federação de Futebol do Rio de Janeiro apenas declarou: "Forneceremos as informações solicitadas pelo Ministério Público dentro do prazo estipulado."
Todas as partes relevantes precisam apresentar suas respostas ao Ministério Público do Rio de Janeiro dentro de 15 dias para permitir que a promotoria continue analisando os dados, com este prazo terminando na próxima semana.
Entende-se que uma explicação oferecida é que, embora o número de ingressos vendidos exceda a capacidade regulamentar, muitos torcedores que compraram ingressos acabam não comparecendo.
Os jogos atualmente sob investigação incluem:
Para o Flamengo: 3 de dezembro de 2025, contra o Ceará; março de 2026, contra o Fluminense; 16 de abril, contra o Independiente Medellín; 19 de abril, contra o Bahia; 22 de abril, contra o Vitória; 3 de maio, contra o Vasco da Gama; 20 de maio, contra o Estudiantes de La Plata; 23 de maio, contra o Palmeiras; 30 de maio, contra o Coritiba; 26 de julho, contra o São Paulo; 9 de agosto, contra o Vitória.
Para o Fluminense: 8 de março de 2026, contra o Flamengo; 19 de maio, contra o Bolívar; 27 de maio, contra a La Guaira; 5 de agosto, contra o Vasco da Gama; 11 de agosto, contra o Rivadavia.
Traduzido por IA.
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