Nos últimos 10 anos, a média de rebaixamento no ano seguinte ao acesso é de um a cada quatro

O Botafogo-SP vai disputar a Série B em 2019 diante de um incômodo retrospecto nos últimos dez anos: a cada quatro times que alcançam a divisão em uma temporada, pelo menos um cai na seguinte. A taxa de impermanência dos promovidos é de 25%.

Outro dado que pode deixar a diretoria do Pantera ainda mais alerta é que, das 40 vagas oferecidas na segunda divisão nacional desde 2008, distribuídas entre 32 equipes (algumas conseguiram mais do que um acesso no período), só 15 permanecem na série ou ascenderam à elite do futebol brasileiro.

Deste grupo, apenas nove continuam nas séries A ou B sem nunca terem caído novamente para a Série C. As outras 17 equipes ou voltaram para a terceira divisão nacional ou estão na quarta.

Exemplos

O destaque maior do período é para Chapecoense, que subiu em 2012 e desde 2014 disputa a Série A, e para o América-MG, que subiu à B em 2009 e, desde então, oscila entre a primeira e a segunda divisões do futebol brasileiro.

Oeste, que subiu em 2012, poderia ser um exemplo mais real, no entanto, o time do interior paulista quase todo ano trava uma luta dramática contra o rebaixamento. A exceção foi a campanha do ano passado, quando o time lutou até a última rodada pelo acesso e terminou a Série B na sexta colocação.

Para o presidente do Botafogo, Gerson Engracia Garcia, a realidade é implacável e a priporidade é entrar na segunda divisão do futebol brasileiro com a humildade de quem veio para ficar.

- É difícil, cada caso é um caso, o Fortaleza e o CSA, por exemplo, subiram da Série C ano passado e estão indo para a Série A. Temos que entrar na Série B com toda a humildade, o Botafogo precisa aprender a disputar a Série B. O Guarani quase caiu no ano passado. O ABC caiu, o Sampaio Corrêa, o São Bento têm oscilado, é muito difícil o campeonato, temos que aprender - projetou o presidente.

Contudo, Garcia afirma que o time pretende pegar pequenos exemplos de vários trabalhos que deram certo, sem tentar seguir uma fórmula feita de sucesso na Série B. Para isso, o presidente mostra confiança nos profissionais do Botafogo.

- É uma competição onde você não consegue ter um modelo de sucesso. Nós temos conceitos, com profissionais experientes, o Léo Condé já trabalhou na Série B, com Sampaio Corrêa, CRB, Goiás, é um treinador experiente. O Léo Franco [gerente] trabalhou no Joinville, foi campeão da divisão. O Gustavo Oliveira [membro da Botafogo/SA] conhece bastante o mercado, tem experiência. Temos tudo para minimizar os erros nesse nosso primeiro ano na Série B - apostou.

São Paulo retoma hegemonia na disputa

Se tem algo que vai fazer o Pantera se sentir em casa na Série B é a quantidade de times que também serão adversários no Paulistão. Bragantino, Ponte Preta, São Bento e, agora, Oeste e Guarani disputarão a Série A1 do Estadual em 2018.

O Estado de São Paulo, que detém a hegemonia de títulos nas séries B (9) e A do Brasileiro (31, incluindo os torneios que foram igualados em 2010 pela CBF) volta a dominar a segunda divisão do nacional após anos à míngua.

Desde 2002, ano em que o Botafogo-SP disputou a divisão pela última vez, os paulistas chegaram a ter 40% de predominância, como os oito clubes na edição de 2008 (veja gráfico acima). De lá pra cá, o declínio paulista foi acentuando. Só Ponte Preta conseguiu se manter por alguns anos na elite, os demais foram esvaindo divisões abaixo.

Em 2019, com a ascensão do Pantera e do Bragantino, o número deve chegar a seis. Isso porque Oeste, São Bento e Ponte Preta ocupam, até a 27ª rodada da Série B deste ano, posição intermediária na tabela. Enquanto o Guarani ronda o G-4 que promove os times à Série A.

O presidente do Pantera reconhece que o Paulistão pode, além de ser um bom termômetro, ajudar na montagem do tipo jogador que a diretoria deve contratar ou renovar do elenco deste ano que conquistou o acesso à Série C.

- O tipo de jogador é diferente, a dinâmica do campeonato é outra, as equipes perdem jogadores no meio da competição, existe a visibilidade grande, tem propostas de outros clubes. Pegue o primeiro jogo das 20 equipes e olhe a equipe atual. O Boa [esporte-MG] só tem dois jogadores da primeira rodada, tem time que mudou 100% - pondera Garcia.