Todo verão, a Premier League se torna a principal atração do mercado de transferências. Os clubes ingleses gastam desenfreadadamente, muitas vezes reforçando seus elencos a preços absurdamente altos. La Liga, cuja filosofia é completamente oposta, alerta que estão criando uma bolha prestes a estourar que arrastará todos consigo. "Se o governo inglês não agir, alguns clubes da Premier League desaparecerão", disse Marta Alonso, executiva de La Liga, ao AS.

De acordo com o relatório "Deloitte Football Finance 2026", a receita de La Liga é de aproximadamente 4,1 bilhões de euros, enquanto a da Premier League chega a 7,979 bilhões de euros. Isso significa que, como o presidente de La Liga, Javier Tebas, tem argumentado publicamente, os gastos dos clubes ingleses no mercado de transferências deveriam ser no máximo o dobro dos clubes espanhóis. Contudo, a realidade é outra. Os gastos anuais de La Liga giram em torno de 800 milhões de euros, enquanto a Premier League gastou 4,062 bilhões na temporada 2025-26 e já atingiu 2,868 bilhões nesta temporada.
"Isso é extravagância", afirmou Tebas. O problema é que os clubes ingleses sustentam esses gastos descontrolados através de um modelo deficitário. O relatório de La Liga mostra que os clubes da Premier League perderam coletivamente 2,027 bilhões de euros na temporada 2024-25, perdas essas arcadas pelos acionistas. Na Espanha, isso não ocorreria porque a capitalização é restrita e existem regulamentações financeiras rigorosas para evitar o modelo deficitário que quase levou o futebol espanhol ao colapso uma década atrás.
Marta Alonso, vice-gerente geral de La Liga, falou ao AS sobre o modelo da Premier League: "O controle financeiro da Premier League é como o de La Liga há 15 anos. Os clubes fazem o que querem durante a temporada e só fazem as contas ao final. Como Tebas disse, é como confirmar a morte do paciente; está além da salvação." Ela apontou problemas nas regras de fair play financeiro da Inglaterra: "O controle financeiro deles tinha falhas fundamentais desde o início; não controlavam os preços de mercado. Agora introduziram mudanças que não acreditamos que funcionarão.
Estabeleceram uma proporção de gastos de elenco baseada na receita. Para clubes que disputam competições europeias, é cerca de 70%, enquanto para outros é elevado para 80% a 90%." Ela continuou: "A Premier League permite que gastem mais e incorram em mais perdas, tornando a liga mais vulnerável ao colapso. Clubes que não participam de competições europeias podem eventualmente ir à falência. Com 80%, você pode gastar mais no elenco, mas as despesas estruturais continuam existindo. Assim, o gasto total atingirá 120% ou até 130% da receita. Essencialmente, dizem que clubes sem competições europeias, com menos receita, podem perder mais dinheiro que aqueles que as disputam."
Para equilibrar os livros, Alonso destacou certas táticas usadas pela Premier League: "A receita pode incluir patrocínios de acionistas, e é difícil verificar se estão a preço de mercado. Tememos que contem lucros de transferências como receita. Isso criará inflação no mercado. Quanto mais vendem, e a preços maiores, melhor a proporção de gasto de elenco. Isso aumentará os preços de transferência e causará rotação massiva de jogadores.
Se as transações ocorrerem apenas dentro da Premier League, consumir-se-ão mutuamente, mas esse impacto também afetará outras ligas." Essa situação já está emergindo. Tomando a transferência mais cara do verão como exemplo, o Chelsea pagou 138 milhões de euros por Morgan Gibbs-White, 53,33% acima de seu valor de mercado. Outro caso é o Tottenham Hotspur contratando Matheus Fernandes por preço 98% superior ao seu valor estimado no Transfermarkt.
Para equilibrar as contas, tentarão vender jogadores a preços elevados, operações frequentemente entre clubes ingleses. Alonso explicou: "É o que chamamos de trocas. Compro seu jogador por 10, você compra o meu por 10. No papel, é 100 e 100, todos ganham 100. Isso aconteceu na Itália antes e resultou em acusações criminais porque distorce o mercado."
Ela continuou analisando o cerne do modelo inglês: "Se compra um jogador a preço muito alto, incorre em custos de amortização. Ao vendê-lo depois, resulta em perda. É como beber veneno para matar a sede. Não acreditamos que seja o caminho certo para manter clubes sustentáveis. Não esqueça, a Premier League já perdeu 2 bilhões de euros na última temporada. Precisamos que a Premier League corrija esse desvio, porque está arrastando todos junto." La Liga vem alertando há anos que o modelo deficitário inglês é insustentável. Avisos como "o lobo está chegando" ecoam há tempos, mas o lobo ainda não chegou.
Contudo, La Liga insiste que as consequências virão e já há sinais: "Embora não seja totalmente evidente ainda, acreditamos firmemente que acontecerá. Descobrirão que clubes da Premier League foram frequentemente comprados e vendidos nos últimos anos. Um acionista entra, o clube perde dinheiro, ele cobre, depois vende para outro recuperar o investimento.
Mas nas últimas temporadas, nem mesmo os fundos soberanos sauditas estão mais adquirindo clubes da Premier League. Os acionistas descobrirão lentamente que investem cada vez mais, mas não conseguem recuperar, porque ninguém comprará seus clubes. Nas últimas duas ou três temporadas, as aquisições de clubes ingleses claramente estagnaram, o que significa que os proprietários começarão a cortar investimentos."
Ela concluiu: "Se as finanças de um clube não são saudáveis e ele não se sustenta com sua própria receita, haverá colapso. O Parlamento Britânico percebeu isso. Houve sinais de alerta de clubes rebaixados para a Championship. Assim que um time cai, acionistas perdem interesse e as pessoas saem."
"Então virão as consequências: se um clube for rebaixado e os acionistas se retirarem, ele falirá. Quanto ao fair play financeiro, pelas declarações do governo britânico, parecem usar essas perdas e margem de sustentabilidade para salvar clubes. Se o Parlamento inglês realmente intervir e regulamentar como prometem, essas consequências serão corrigidas mais cedo; caso contrário, alguns clubes da Premier League desaparecerão." A ameaça é clara, mas clubes ingleses continuam correndo desenfreadadamente ao mercado de transferências.
Traduzido por IA.
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