Ex-atacante marcou história no Galo ao balançar as redes do adversário em 2009, ano do rebaixamento da equipe do Mutange. Ele agradece aos ensinamentos de um ídolo regatiano

O CRB chega a mais uma decisão do Campeonato Alagoano contra o arquirrival, CSA, e um personagem é imediatamente lembrado quando se fala de Clássico das Multidões: Calmon. O ex-atacante defendeu o Galo em 2009 e ficou marcado como responsável pelo rebaixamento da equipe do Mutange naquele ano [o segundo da história do clube azulino].
Atualmente Calmon trabalha como agente de atletas de futebol e falou, por telefone, com o GloboEsporte.com. O mineiro, de Uberada, mandou um vídeo de apoio aos regatianos e relembrou as atuações contra o rival, mas pregou respeito ao lado azul.
- Esses clássicos [contra o CSA] ficaram marcados para mim; muitos nem lembram que fui o artilheiro. Isso mostra a importância que é um clássico. Clássico você pode ser vilão ou ídolo. O CSA foi o clube que eu mais marquei gols na minha história por Alagoas, tanto no Coruripe como pelo CRB. Pelo Coruripe, eu fiz quatro gols, salve engano, e pelo CRB fiz três. Sou considerado um carrasco no lado azul, mas sempre com muito respeito. Tenho amigos, quando tiveram as brincadeiras sempre foram com respeito porque a instituição [CSA] é grande; a gente respeita como profissional que eu sempre fui, brincadeira gostosa pelo lado do torcedor, mas sem violência - disse o ex-jogador, que antes de atuar pelo Galo defendeu Coruripe e ASA.
- É uma lembrança muito boa que eu tenho. As músicas, as bandeiras que os torcedores fizeram... Eu espero ir a Maceió em breve. O povo alagoano sempre me acolheu muito bem, tanto no interior como na capital, e sou muito grato a tudo isso. Tenho um carinho enorme.
Marcado na história, o jogo que ficou conhecido como o clássico do spray de pimenta está bem guardado na lembrança de Calmon.
- Lembro que no primeiro clássico do ano, o adversário com jogadores mais experientes, a exemplo do Júnior Amorim, que era ídolo do CRB e optou em se transferir para o rival, e durante o jogo, mesmo com o time bem mais jovem, nós estávamos melhor em campo, eles tiveram dois ou três jogadores expulsos, teve aquela confusão com spray de pimenta e a partida precisou ser suspensa.
- Na continuação da partida, eles mesmo com um homem a menos largaram na frente, nós conseguimos virar o placar, eu marquei os dois gols e na comemoração fizemos um gesto simulando o spray de pimenta, com os jogadores caindo. Ali começou a ficar marcada a minha passagem pelo CRB.
- Na semana da rodada final do campeonato, lembro que vários torcedores foram ao CT da Pajuçara pedirem garra para vencer e rebaixar o rival, que aquilo para muitos era melhor que ganhar um título. E no jogo nós vencemos, com um gol meu e outro do Da Silva. Uma pena que não conseguimos nos classificar, mas ficou o sentimento de ter feito um grande trabalho.
Calmon lembrou como viu o CRB na sua chegada à Pajuçara, algo bem diferente dos dias atuais.
- Cheguei num ano muito difícil. Era uma fase de transição do presidente Serafim, tinha ocorrido a queda para a Série C no ano anterior, o clube com imensa dificuldade nas finanças, sem recursos para formar um grande elenco, mas apesar de tudo isso conseguimos fazer um bom campeonato. Fui artilheiro do estadual, o clube investiu em jogadores da base, a exemplo do Edmar, Rafinha, Tony, Johnnattan... Eu era um jogador mais experiente e servi como uma espécie de líder para o grupo.
O ex-camisa 9 fez questão de destacar um ídolo regatiano que deu todo apoio ao centroavante durante a passagem dele pelo Galo.
- Tenho como ídolo o Joãozinho Paulista que era auxiliar-técnico e depois foi treinador nosso. Conversava bastante, ele como artilheiro sempre me deu toques. E me ajudou a colocar o nome marcado na história do CRB como artilheiro. Não consegui títulos, mas mesmo com jogadores bem mais jovens, eu pude ser artilheiro e ter deixado o meu nome na história do clube.

Para mais uma decisão de Campeonato Alagoano, Calmon disse o que não pode faltar ao CRB para ficar com o tetracampeonato estadual.
- Não pode faltar respeito, confiança, personalidade. O atleta tem que jogar com personalidade, com a alma... Isso foi um fator que o torcedor do CRB gostou de mim. Eu não tinha tanta qualidade técnica, mas sempre joguei com a alma. O torcedor gosta disso. Se você tiver tudo isso junto, você consegue alcançar os seus objetivos.
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