Música da histórica vitória contra o Peñarol é conhecida até hoje como hino do clube. Ilustre torcedor bicolor, Francisco Pires Cavalcante era paraibano e gravou a marchinha em Minas Gerais

O Paysandu está de luto. Cantor e compositor da famosa marchinha “Uma listra branca, outra listra azul'”, que até hoje é popularmente conhecida como o hino do clube, Francisco Pires Cavalcante faleceu na noite do último sábado, em Belém, aos 93 anos.
O início dessa história aconteceu no dia 18 de julho de 1965, quando o Paysandu venceu o Peñarol, do Uruguai, por 3 a 0, no Estádio da Curuzu, em um jogo amistoso.
– Foi um prazer enorme. Eu nunca imaginei que essa música fosse fazer tanto sucesso, porque comecei a fazer a marchinha exatamente lá no estádio, na hora do jogo. Eu comecei a cantar sozinho: "Uma listra branca, outra listra azul". E quem estava ao meu redor começou a cantar também. A torcida inteira começou a cantar e nós chegamos até metade da primeira parte. Quando o Paysandu fez o segundo gol, aí eu me empolguei, a inspiração foi maior ainda e cheguei até o final da primeira parte: "Uma listra branca, outra listra azul. Essas são as cores do Papão da Curuzu. O nosso time joga pra valer, até o Peñarol veio aqui pra padecer".

Pires Cavalcante conseguiu finalizar a marchinha no mesmo dia da partida. Curiosamente, a letra da tradicional música foi escrita por um paraibano e gravada em Minas Gerais.
– Fui direto do estádio para a rádio, falei com um amigo, disse que já havia feito a primeira parte e queria que ele me ajudasse na segunda. E ele se prontificou, foi ao piano com a melodia e acabei concluindo a letra. Comecei a cantar baixinho e a torcida me acompanhou. Isso para mim é um prêmio que Deus me deu. Fico muito agradecido à toda a torcida do Paysandu que canta a minha música.
Pires Cavalcante era músico da Marinha do Brasil que saiu da Paraíba para morar em Belém a trabalho. No domingo, o Paysandu entregou à família do ilustre torcedor uma bandeira com o símbolo do clube e decretou luto oficial de três dias, período em que a bandeira Alviceleste ficará a meio mastro na sede social e na Curuzu.
O Papão ainda vai solicitar à CBF um minuto de silêncio antes da partida do próximo sábado, contra o Criciúma, em homenagem a Francisco Pires Cavalcante.
"Uma listra branca, outra listra azul"
Uma listra branca, outra listra azul
Essas são as cores do Papão da Curuzu
O nosso time joga pra valer
Até o Peñarol veio aqui pra padecer
O Paysandu topa qualquer parada
Quando perde é por descuido, mas depois vem a virada
Pintou o sete numa tela azul
Foi feito sem defeito do Papão da Curuzu
Paysandu
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