De acordo com o Globo Esporte, diversos grandes clubes brasileiros divulgaram um comunicado conjunto na noite de quinta-feira defendendo o mercado regulamentado de apostas esportivas do país e alertando que possíveis restrições governamentais seriam "o fim do futebol brasileiro".

Até o fechamento desta edição, o comunicado havia sido publicado nas contas de mídia social da Federação Paulista de Futebol (em conjunto com os clubes Palmeiras, Santos e São Paulo), da Federação de Futebol do Estado do Rio de Janeiro, bem como dos clubes Botafogo, Flamengo, Fluminense, Vasco da Gama e Cruzeiro.
O comunicado destacou que "os investimentos de empresas de apostas autorizadas tornaram-se uma das principais fontes de receita para o esporte" e que esses "fundos também beneficiaram equipes menores, ligas inferiores e eventos com menor exposição comercial".
O comunicado também alertou que mudanças nas regras não fariam "as apostas desaparecerem", mas sim poderiam empurrar os apostadores para mercados ilegais.
Os clubes argumentaram que é necessário "combater as atividades ilegais, fortalecer a regulamentação e aprimorar os mecanismos de proteção, sem colocar em risco um mercado regulamentado que o próprio estado regulamentou". O comunicado concluiu: "Os torcedores não podem pagar esse preço. Se o mercado regulamentado acabar, as apostas não acabarão. O que acabará é o futebol."
Desde a semana passada, dirigentes de clubes têm se reunido para discutir contramedidas. Clubes de São Paulo realizaram reuniões na Federação Paulista de Futebol – que também coordenou com outras federações – para avaliar a situação atual, que inclui um projeto de lei na Câmara Municipal de São Paulo visando restringir a publicidade de empresas de apostas na cidade.
De acordo com o Globo Esporte, o texto da medida provisória relevante foi preparado e aprovado, com planos para sua publicação até terça-feira da próxima semana. No entanto, uma facção dentro do governo está tentando persuadir o presidente Luiz Inácio Lula da Silva a proibir apenas jogos de apostas online específicos, como "jogos de caça-níqueis".
A justificativa é que esses jogos têm um impacto significativo na renda das famílias brasileiras, especialmente nas famílias de grupos vulneráveis.
O texto em análise revogaria o parágrafo segundo do Artigo 3º da Lei nº 14.790, promulgada em 2023, que regulamenta o mercado de apostas brasileiro. É essa cláusula que inclui os jogos virtuais no escopo das apostas de quota fixa. Portanto, a medida provisória não proibiria as apostas esportivas.
No entanto, os jogos de cassino online constituem a maioria da receita dos operadores de apostas – o que poderia dificultar a sobrevivência da maioria desses operadores.
Para a gestão do futebol, a consequência direta seria a redução dos investimentos esportivos por parte dessas empresas. Estima-se que as empresas de apostas paguem mais de 1 bilhão de reais anualmente em taxas de patrocínio apenas para os clubes da Série A do Campeonato Brasileiro.
Leia o comunicado na íntegra
"O Fim do Futebol Brasileiro
A comunidade do futebol acompanha de perto as discussões em torno do mercado de apostas brasileiro e reconhece os desafios impostos pela sua expansão. Seu impacto social, particularmente nas populações mais vulneráveis, exige atenção contínua do governo, das empresas e de todos os setores relevantes.
Portanto, é essencial aprimorar as medidas de proteção, regulamentação, educação e prevenção para mitigar riscos e garantir um mercado responsável.
O Brasil escolheu enfrentar esse desafio por meio da regulamentação. A regulamentação estabelece regras rigorosas para as empresas autorizadas a operar no país, e regras claras permitem que o estado supervisione o mercado, responsabilize os infratores e combata a operação de plataformas ilegais.
É preciso ressaltar que nos últimos anos os investimentos de empresas de apostas autorizadas tornaram-se uma das principais fontes de receita para o esporte. Esse investimento impulsionou significativamente o futebol brasileiro, permitindo-lhe dominar competições como a Copa Libertadores e a Copa Sul-Americana, e colocando os clubes brasileiros em papéis de destaque.
Essa presença não se limita aos maiores clubes. Os fundos também beneficiaram equipes menores, ligas inferiores e eventos com menor exposição comercial. Para muitas dessas associações, especialmente as do interior, não há atualmente outro setor econômico que possa substituir imediatamente esse investimento.
Essas receitas são cruciais para manter estruturas administrativas, centros de treinamento, profissionais, projetos sociais e departamentos que não conseguem gerar fundos suficientes para sustentar as operações de forma independente (como o futebol feminino e o desenvolvimento de futuros talentos). Quando a receita cai drasticamente, esses investimentos geralmente são os primeiros a serem ameaçados.
Portanto, rumores de mudanças repentinas nas regras de regulamentação do mercado de apostas causaram grande preocupação entre todos os clubes, federações de futebol e órgãos de gestão esportiva. Mudanças repentinas nas regras enfraquecerão a capacidade de investimento dos clubes e criarão desequilíbrios nacional e internacionalmente. Contratos legalmente assinados, planos plurianuais e compromissos financeiros foram todos feitos sob o marco regulatório estabelecido pelo próprio estado.
Para lidar com um mercado que já existia e operava bilhões de reais ilegalmente, o estado estabeleceu um ambiente regulamentado. Empresas foram autorizadas, começaram a pagar impostos e assumiram obrigações relacionadas à proteção do consumidor, prevenção do jogo por menores, prevenção de abusos e combate à lavagem de dinheiro e à manipulação de resultados. Foi a regulamentação do mercado que tirou o Brasil do topo dos rankings globais de casos de manipulação de resultados.
Esse modelo insustentável não fará as apostas desaparecerem. Apenas abrirá caminho para que os consumidores migrem para plataformas ilegais, que não pagam impostos, não cumprem restrições, não fornecem ferramentas de proteção e não cooperam com as autoridades.
As consequências não são apenas abrir a porta para as apostas ilegais, mas um golpe fatal para o futebol brasileiro, levando à falência de muitos clubes. Sem mencionar a incerteza jurídica e profissional que tal medida trará, especialmente para contratos legalmente assinados e planos feitos sob o marco regulatório estabelecido pelo próprio estado e aprovado pelo Congresso.
A comunidade do futebol acredita que as ações mais rigorosas devem ser combater as atividades ilegais, fortalecer a regulamentação e aprimorar os mecanismos de proteção, sem colocar em risco um mercado regulamentado que o próprio estado regulamentou.
A comunidade do futebol está disposta a cooperar com o governo federal, o Congresso, estados e autoridades municipais para estabelecer mecanismos mais eficientes de educação e conscientização pública.
Os torcedores não podem pagar esse preço.
Se o mercado regulamentado acabar, as apostas não acabarão.
O que acabará é o futebol."
Traduzido por IA.
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