Meia é mais um acionar a Macaca na Justiça por pagamentos em atraso; maior valor é referente à premiação por número de partidas

A relação entre Ponte Preta e Renato Cajá ganhou um novo capítulo. Mas desta vez no campo jurídico. Sem atuar desde o rebaixamento da Macaca para a Série B, o meia, atualmente desempregado, move duas ações contra o clube campineiro e cobra aproximadamente R$ 690 mil por pagamentos em atraso.

O principal processo é na área trabalhista. Entre salários (ganhava R$ 90 mil por mês), direito de imagem, bonificações, férias, FGTS, verbas rescisórias e outros direitos, a causa chega a R$ 510.120,00.

O maior valor é referente a uma premiação por número de partidas. O contrato assinado em 29 de março, com duração até 31 de dezembro de 2017, previa o pagamento de R$ 270 mil, em parcela única, se Cajá atuasse uma vez no Campeonato Paulista, uma na Sul-Americana e cinco partidas no Brasileirão. O jogador alega não ter recebido, ainda que tenha cumprido as "metas".

Uma audiência está marcada 2 de outubro, na 10ª Vara do Trabalho de Campinas, quando a Ponte buscará um acordo parcelado com Renato Cajá - a mesma estratégia será adotada com os demais jogadores que acionaram a Macaca na Justiça.

A outra ação movida por Cajá é na esfera cível, conforme publicado pelo site "Só Dérbi" no início da semana. Por perdas e danos, o meia pede R$ 180.697,25 pela falta de pagamento de três meses de direito de imagem. Os dois processos correm desde o começo de março.

Em sua quarta passagem pelo Majestoso, Renato Cajá participou de 25 jogos, com apenas um gol, e passou a maior parte do tempo em tratamento de problemas físicos. O último deles foi uma lesão na panturrilha, já na reta final do Brasileirão. Desde então, o jogador, aos 33 anos, não conseguiu se recolocar no mercado.

Além de Cajá, outros oito atletas processaram a Macaca: o zagueiro Fábio Ferreira, os laterais Fernandinho, João Lucas e Nino Paraíba, os volantes Elton, Naldo e Jean Patrick e o goleiro Aranha. Somadas, as ações superam a casa dos R$ 9 milhões.

A avalanche de problemas trabalhistas é reflexo da crise financeira que a Ponte atravessou na virada do ano. Sem condição de arcar com as rescisões, a diretoria preferiu deixar para buscar acordo na Justiça quando a situação melhorasse.

De acordo com o balanço publicado recentemente no site oficial, a Ponte teve um orçamento de R$ 65.743.609,00 para o futebol profissional na última temporada, quando foi vice-campeã paulista e acabou rebaixada no Brasileirão, e fechou o ano com um déficit de R$ 5.689.593,00.

Em outras oportunidades, o presidente em exercício José Armando Abdalla e o diretor financeiro Gustavo Valio disseram que o rombo foi de R$ 10 milhões e que a atual gestão já havia quitado aproximadamente 40% desse valor.