Gordon: A mentalidade importa mais do que o talento; as redes sociais estão piorando as coisas. O atacante inglês, a contratação mais cara deste verão, reflete sobre sua transformação mental desde o empréstimo ao Preston, sua aversão às redes sociais e sua visão do futebol como uma batalha de inteligência.

Sombria, úmida e em decadência, mas com um caráter único, a cidade industrial de Liverpool tem ruas que às vezes podem ser agressivas.
"É uma cidade difícil, então você tem que ser capaz de lutar. É assim que funciona", diz Gordon, a contratação mais cara deste verão, por 80 milhões de euros. Gordon sabe exatamente do que está falando: antes de ficar famoso, ele próprio esteve envolvido em várias brigas.
Isso é Liverpool. Futebol, boxe e música são as coisas mais importantes e, claro, os Beatles. Gordon só se lembra de "Yellow Submarine", mas depois fez a transição do ringue de boxe para o campo, saindo de seu amado Liverpool para o Everton.
Aos 11 anos, foi rejeitado pelo Liverpool e depois se desenvolveu na academia dos "Toffees" até começar a se destacar após ingressar no Newcastle United. Agora está aprendendo espanhol e também catalão.
"Já sabia um pouco sobre a história catalã, mas depois de vir para cá, quero aprender mais", disse ele.
No entanto, durante a entrevista, preferiu falar em inglês.
"Consigo entender e falar, mas sou um pouco tímido."
P: Mas você não parece assim em campo.
R: De fato, não sou assim em campo. A impressão que as pessoas têm de mim é muito diferente de quem eu realmente sou. Elas confundem a pessoa que sou com minha identidade como jogador. Assim que entro em campo, me torno uma pessoa diferente.
Mas tenho que ser a melhor versão de mim mesmo. Sou muito duro e agressivo, e quero vencer. Fora de campo, sou calmo e não falo muito.
P: Essa personalidade em campo te destaca?
R: Absolutamente. Neste nível, além de jogadores como Lamine Yamal e Pedri, o talento de todos os outros é praticamente o mesmo. Todos estão essencialmente no mesmo nível; o que realmente faz a diferença é a mentalidade.
Joguei com alguns jogadores muito talentosos, mas nunca atingiram seu potencial máximo porque suas mentes não eram claras o suficiente. Para mim, uma mentalidade forte é mais importante que muito talento. O talento é muito instável.
P: Quando você percebeu isso?
R: Por volta dos 19 anos. Eu era muito talentoso então, mas minha mentalidade não era forte ou estável o suficiente. Estava emprestado ao Preston pelo Everton e quase não joguei.
Depois desse período de empréstimo, disse a mim mesmo: "Não posso cair a este nível novamente. Preciso jogar na Premier League, não voltar para o Championship."
Quando o treino de pré-temporada recomeçou, comecei a ler livros e assistir vídeos todos os dias...
P: Que tipo de livros você lê?
R: "Winning" e "Relentless" de Tim Grover. Desde então, tenho me focado muito no crescimento pessoal e gradualmente entendi muitas coisas.
P: Você lê ficção?
R: Só leio livros de autoajuda. Leio para estimular meu cérebro, para aprender lições de vida e para entender coisas que não sabia antes. Quanto à ficção, prefiro assistir filmes.
P: Você realmente quer organizar um clube do livro no vestiário?
R: Adoraria, mas ainda não tentei. Os meninos são muito jovens; não fariam algo assim.
Sei que não há muitos jogadores de futebol que gostam de ler. Mas me sinto como uma alma muito antiga, sabe? Sinto que pertenço ao passado.
P: Elabore sobre isso.
R: Pertenço a outra era. Sinto que minha personalidade é mais como a de alguém dos anos 90. Hoje em dia, todo mundo é obcecado por redes sociais, tudo se tornou muito materialista e o romance praticamente não existe.
Não sou assim; prefiro o passado.
P: Isso não tem necessariamente a ver com a época. Conheço muitas pessoas nascidas nos anos 90, até nos 80, que são igualmente viciadas na cultura do "curtir" no Instagram.
R: Desde que as redes sociais apareceram, provavelmente por volta de 2010, sinto que o mundo piorou. As pessoas começaram a se concentrar em coisas que não são importantes.
As únicas coisas que realmente importam são sua família e as pessoas ao seu redor.
P: Então você não consegue simplesmente ficar deitado no sofá, rolando o telefone numa tarde qualquer?
R: Consigo, e faço isso mais do que deveria, mas não gosto. Toda vez que rolo, me sinto culpado e ainda mais infeliz.
P: Como as redes sociais mudaram a vida dos jogadores?
R: Os jogadores hoje em dia se preocupam demais com o que os outros pensam. Um jogador que marca um gol ou dá uma assistência é elogiado intensamente, mesmo que tenha tido um desempenho geral terrível.
Prefiro jogar bem sem marcar. Para mim, isso é futebol de verdade. Prefiro tomar as decisões certas para a equipe do que jogar mal, mas marcar.
P: Então, trata-se de priorizar as escolhas certas em vez de marcar?
R: É assim que jogo. Como pressiono agressivamente, é fácil as pessoas notarem isso. Mas acho que, uma vez que me observarem de perto, descobrirão que meu verdadeiro nível pode surpreender muitos.
Isso aconteceu no Newcastle United. Eddie Howe me contratou do Everton para correr e pressionar. Mas quando cheguei lá, as pessoas pensaram: "Ah, você é realmente um bom jogador."
Acredito que meu QI de futebol é minha habilidade mais subestimada. E é por isso que sou uma boa opção para o Barcelona.
Nesta equipe, se você não for inteligente o suficiente, será dispensado. Você sempre tem que tomar as decisões certas, caso contrário, ficará em má situação.
P: O que significa ser inteligente?
R: Ser inteligente significa tomar as decisões certas com mais frequência do que as erradas.
Talvez eu devesse chutar mais ou passar menos desinteressadamente, mas essa não é minha natureza. Tomar a decisão certa me faz sentir bem.
P: O que Flick disse quando te ligou?
R: Ele disse que queria que eu me juntasse, acreditando que me encaixo bem com suas táticas e o que ele valoriza.
Quando você fala com ele, percebe que tem uma ótima personalidade; é uma boa pessoa. É muito direto, e eu gosto disso. Prefiro a honestidade, mesmo que soe muito brusca.
Além disso, eles já têm a melhor equipe, então quero fazer parte dela.
P: As pessoas costumam falar de Mbappé ou Lamine Yamal, mas você não acha que as pessoas na Espanha se esquecem de Harry Kane?
R: É o mesmo em todo lugar. Na Inglaterra, as pessoas só se concentram na Premier League; na Alemanha, as pessoas só falam de Harry Kane por causa do Bayern de Munique.
A razão pela qual Lamine Yamal e Mbappé são sempre discutidos aqui é porque são os dois melhores jogadores. É normal as pessoas se concentrarem no que têm à sua frente.
P: Lamine Yamal te surpreendeu?
R: Muito, mas não por causa do seu talento, e sim por causa de sua mentalidade.
Já sabia que era excelente e talentoso, mas não esperava que sua atitude fosse tão boa. Geralmente, um jogador tão jovem e talentoso pode relaxar um pouco na defesa, mas sua intensidade de pressão é tão alta quanto a de Raphinha e a minha.
Além disso, nunca perde uma sessão de academia.
P: E Rodri?
R: Ele é o mesmo. Embora já tenha jogado contra ele antes e o conheça há algum tempo, ainda é um monstro.
Sempre que está em campo, se perdemos a bola e o adversário ataca, ele está sempre lá. No ataque, com ele, o ritmo do jogo desacelera, o que nos dá tempo e espaço para avançar e atacar.
É a combinação perfeita.
Traduzido por IA.
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Barcelona
Anthony Gordon
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